Terça-feira, Julho 14, 2009

Mito: Lan House é Inclusão Digital. Prt 1.

Há algum tempo percebo um comportamento comum a todas as lan-houses que já conheci mesmo que não tenham sido muitas. Mas em todas que conheci, a grande parte dos usuários estavam jogando, ou assistindo a vídeos no Youtube, conectados ao MSN. Crianças e adolescentes de idades variadas jogavam sem o menor pudor, preconceito ou supervisão de um adulto consciente. Os jogos são sempre: GTA SA ou CS, siglas para Gran Thief Auto San Andreas e Counter Strike. Segundo a Entertainment Software Rating Board, órgão regulador da indústria de software, esses dois jogos são classificados com o seloM’ (significa que são inapropriados para o uso ou comercialização à menores de 17) em sua versão original. Mas a existência de “cheats” ou dicas que alteram partes dos jogos poderia elevar a classificação para ‘A’, significando que apenas adultos podem fazer uso e comprá-los. Como a maioria desses jogos podem ser cópias ilegais, é possível entender que a preocupação por parte dos donos dessas lan-houses com esse tipo de classificação seja pouco ou nenhuma.

No meu ponto de vista os jogos são apenas parte do problema. O outro problema seria o acesso a qualquer tipo de site, pois as limitações são impostas meramente de forma verbal ou consensual. Uma forma totalmente ineficaz. Não há qualquer espécie de bloqueio de conteúdo fornecida por um software ou dispositivo de rede. Assim, querendo ou não crianças têm contato com temas que não deveriam, devido a sua imaturidade e inexperiência em realizar pesquisas na internet. Alguém se preocupa com isso? O proprietário da lan-house não, o interesse dele é puramente o lucro. Não importa, para ele, se está criando algum tipo de desequilíbrio sócio-educativo na formação de seus desavisados clientes infantis.

E os pais, esses, muitas vezes, não têm a menor idéia do que significa formação cultural ou social, pois eles mesmos não à possuem. Mas não podem ser os únicos culpados por isso, pois também não tiveram acesso a uma educação de base que poderia ajudá-los a questionar mais sobre seu cotidiano. Sendo assim, os pais não têm argumentos para reforçar a preocupação dos filhos em acessar a internet de forma tão promíscua. Eles ainda imaginam estar fazendo um bem para os filhos, pois dessa forma seus filhos terão acesso a tão bem falada internet. Soma-se a isso a característica predominante nas pessoas da geração anterior que hoje são pais e mães, que é a transmissão da responsabilidade de educar ou cuidar dos próprios filhos à outras pessoas ou instituições. Para justificar isso, algumas vezes alegam falta de tempo ou querem o merecido sossego.

Há um turbilhão de dúvidas, argumentos, sentimentos e indagações que tenho sobre esse assunto. Mas, será que apenas eu percebi isso? Por sorte que não. Há outras pessoas intrigadas com o uso da internet sem limites. E usando deste motivo, fizeram um documentário. Em minha opinião, de um bom gosto imenso além de possuir um olhar crítico muito saudável e indispensável para os dias atuais. É o “Periferia.com”. Exibido pela TV Cultura no dia 03 de Julho. Confira aqui o cartaz . Ótima dica para quem está disposto a tentar entender onde a busca por lucro sem limites aliado a tecnologia “sem bula” pode levar uma nação de responsáveis inconseqüentes. Mais informações podem ser obtidas aqui neste breve descritivo feito pela MaxPress . Ou vá direto a fonte, entre em contato com o diretor João Daniel Donadeli blog destinado ao documentário "Periferia.com".

Tratarei mais sobre este assunto no próximo post, em breve.




Segunda-feira, Junho 15, 2009

Dinheiro é resultado?

Ao longo da história da humanidade uma busca incessante do que não se possuía em grandes quantidades sempre existiu. Durante essa jornada muitos indivíduos se destacaram, ora obtendo sucesso ao monopolizar um recurso natural, ora inovando e manufaturando produtos para a subsistência. Em ambos os casos o acumulo de riquezas por meio do comércio era inevitável, e ao reunir uma quantia relativamente grande, a maior parte desses homens buscava enfim a realização de um sonho que em muitas vezes resultava em um processo consumista.

Analisando de forma sucinta essa relação humana de comércio, consumo e acumulo de riquezas podemos notar um aspecto comum a todo o ser humano que é a busca de um objetivo através dos mais variados meios ou atividades. Sem elevar esta linha de pensamento para o mérito moral, podemos afirmar que a plena realização da atividade que possa levar ao objetivo final, torna-se momentaneamente o seu objetivo principal. Assim, podemos notar que a relação do homem com suas riquezas e cobiças é sempre modificado pela força em satisfazer suas vontades ou necessidades. Nesta troca de lugares entre objetivo e meio, fica clara a dificuldade em definir um resultado, pois a qualquer momento esse cenário pode mudar e o que antes lhe cabia como um objetivo agora pode ser tido como meio.

“Um homem guarda parte de seu salário para comprar um terreno onde construirá estabelecimentos comercias que lhe servirá como renda extra em sua aposentadoria que utilizará para realizar o sonho de viajar e conhecer à terra natal de avós”. Neste cenário podemos notar que hora o dinheiro é um objetivo e hora torna-se um meio para conseguir o objetivo final. Hora resultado, hora meio para obter outro resultado.

A conclusão que podemos chegar após essas verificações é que o dinheiro pode ser um resultado do nosso trabalho. Mas o dinheiro deverá servir a um propósito maior, pois se o tivermos como objetivo final de nossas expectativas significa que ainda não temos um objetivo final definido. Da mesma forma o dinheiro é na verdade um meio para chegarmos ao nosso objetivo final. Será o resultado do esforço em acumular riquezas para conseguir, enfim, a realização dos nossos sonhos.

 
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