sexta-feira, setembro 13, 2013

O Fim da Felicidade (conto)

O Fim da Felicidade (conto)

Ele tinha pouco mais de seis anos. Uma irmã dois anos mais nova e um irmão três anos mais velho. Sua mãe cuidava deles e da casa. Seu pai trabalhava na cidade e voltava todas as noites para casa. As aventuras mais épicas de sua vida tinham acontecido apenas em seu mundo lúdico.
Fantasiava sempre como sendo um herói. Hora salvando seu melhor amigo da feiticeira, hora salvando a mocinha do vilão. Em suas brincadeiras, seus irmãos sempre eram personagens de histórias fantásticas. As batalhas travadas com seres imaginários tomavam quase todo o seu dia.
Sem saber, ao seu redor batalhas reais aconteciam todos os dias. Nestas batalhas todos eram vilões e não havia finais felizes. 

Seus pais faziam o máximo para mantê-los em segurança. Como não existiam mais escolas, sua mãe decidiu lhes ensinar o que sabia. Dessa forma os mantinham ocupados e talvez despreocupados com o mundo real no qual todos viviam. Desde muito pequeno ele se alegrava nos momentos de prece. Assim como todos em sua família e seus antepassados, eles veneravam o desconhecido e presente deus. Neste momento sentia que todos entravam em seu mundo, pois falavam ser ver com quem se falavam e respondiam sem ouvir palavras. 

Todos os seus dias eram iguais, mas a vida fora de sua casa era imprevisível. Ainda assim, ele corria e sorria como se aquela fosse a única resposta a duvida dos adultos se haveria um amanhã. Todos os seus dias eram incríveis, pois precisava de muito pouco para se divertir com seus irmãos. Ao vê-los sorrirem, durante suas aventuras, ele podia sentir que seus irmãos também pensavam assim.

Todos os seus dias foram felizes até aquele dia e neste dia as brincadeiras foram interrompidas por um forte odor. Seus irmãos e sua mãe, assim como ele, também tentavam cobrir o rosto.
Mas parecia ser tarde. O mal dos vilões que viviam lá fora e criavam batalhas para matar a si mesmos havia entrado em seu mundo. Sua família sucumbira a este mal.

Para ele não haveria outros dias, pois para ele e sua família o Sol jamais se poria no horizonte. Aquele seria o ultimo de seus dias felizes.

Em memória de todos que foram mortos durante o ataque com armas químicas em 21 de agosto de 2013 em Muadamiya, Zamalka e Ain Tarma e periferia de Damasco – na Síria. Nestes ataques 1.429 foram mortos - entre eles, 426 crianças.



Podemos mudar?

Em um mundo onde a covardia supera todos os limites ou onde a ganância tem maior prioridade sobre a vida. Ou, onde a morte de um ou milhares não careça de respostas. O motivo maior de todo o sofrimento não precisa mais ser investigado. Todos estão cientes que as maiores tragédias, não acidentais, foram criadas por pessoas tão podres quanto seus corações.

Quantas vítimas de um mundo que impõe a guerra como justificativa para manter a luxuria de um poucos ainda são necessárias para que se crie uma nova consciência global?
Espero que um dia o terror desapareça frente ao amor, a fraternidade e ao respeito. 

Precisamos aprender que a gentileza é o maior sinal de força. Assim, talvez, sorriremos novamente como fazíamos na infância e quando éramos heróis de batalhas sem dor.

terça-feira, julho 14, 2009

Mito: Lan House é Inclusão Digital. Prt 1.

Há algum tempo percebo um comportamento comum a todas as lan-houses que já conheci mesmo que não tenham sido muitas. Mas em todas que conheci, a grande parte dos usuários estavam jogando, ou assistindo a vídeos no Youtube, conectados ao MSN. Crianças e adolescentes de idades variadas jogavam sem o menor pudor, preconceito ou supervisão de um adulto consciente. Os jogos são sempre: GTA SA ou CS, siglas para Gran Thief Auto San Andreas e Counter Strike. Segundo a Entertainment Software Rating Board, órgão regulador da indústria de software, esses dois jogos são classificados com o seloM’ (significa que são inapropriados para o uso ou comercialização à menores de 17) em sua versão original. Mas a existência de “cheats” ou dicas que alteram partes dos jogos poderia elevar a classificação para ‘A’, significando que apenas adultos podem fazer uso e comprá-los. Como a maioria desses jogos podem ser cópias ilegais, é possível entender que a preocupação por parte dos donos dessas lan-houses com esse tipo de classificação seja pouco ou nenhuma.

No meu ponto de vista os jogos são apenas parte do problema. O outro problema seria o acesso a qualquer tipo de site, pois as limitações são impostas meramente de forma verbal ou consensual. Uma forma totalmente ineficaz. Não há qualquer espécie de bloqueio de conteúdo fornecida por um software ou dispositivo de rede. Assim, querendo ou não crianças têm contato com temas que não deveriam, devido a sua imaturidade e inexperiência em realizar pesquisas na internet. Alguém se preocupa com isso? O proprietário da lan-house não, o interesse dele é puramente o lucro. Não importa, para ele, se está criando algum tipo de desequilíbrio sócio-educativo na formação de seus desavisados clientes infantis.

E os pais, esses, muitas vezes, não têm a menor idéia do que significa formação cultural ou social, pois eles mesmos não à possuem. Mas não podem ser os únicos culpados por isso, pois também não tiveram acesso a uma educação de base que poderia ajudá-los a questionar mais sobre seu cotidiano. Sendo assim, os pais não têm argumentos para reforçar a preocupação dos filhos em acessar a internet de forma tão promíscua. Eles ainda imaginam estar fazendo um bem para os filhos, pois dessa forma seus filhos terão acesso a tão bem falada internet. Soma-se a isso a característica predominante nas pessoas da geração anterior que hoje são pais e mães, que é a transmissão da responsabilidade de educar ou cuidar dos próprios filhos à outras pessoas ou instituições. Para justificar isso, algumas vezes alegam falta de tempo ou querem o merecido sossego.

Há um turbilhão de dúvidas, argumentos, sentimentos e indagações que tenho sobre esse assunto. Mas, será que apenas eu percebi isso? Por sorte que não. Há outras pessoas intrigadas com o uso da internet sem limites. E usando deste motivo, fizeram um documentário. Em minha opinião, de um bom gosto imenso além de possuir um olhar crítico muito saudável e indispensável para os dias atuais. É o “Periferia.com”. Exibido pela TV Cultura no dia 03 de Julho. Confira aqui o cartaz . Ótima dica para quem está disposto a tentar entender onde a busca por lucro sem limites aliado a tecnologia “sem bula” pode levar uma nação de responsáveis inconseqüentes. Mais informações podem ser obtidas aqui neste breve descritivo feito pela MaxPress . Ou vá direto a fonte, entre em contato com o diretor João Daniel Donadeli blog destinado ao documentário "Periferia.com".

Tratarei mais sobre este assunto no próximo post, em breve.




 
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